18/01/2012

Sabe aquele som que arrepia?


Não importa se pra você é um sussurro, uma musica, um eu te amo, ou um simples som de vento. Eu sinto arrepiar ouvindo o som do Bouzouki (instrumento grego parecido com uma viola), ele é tocado nas músicas mais típicas de dança grega. O nome do instrumento é turco, mas, por incrível que pareça, os gregos não ligam muito pra isso, acho que o que mais importa é o som que parece que carrega o coração até as nuvens, simplesmente divino!

Às vezes me irrito com as novas músicas gregas, ainda acredito que cada país deveria continuar com a sua cultura mais forte do que qualquer outra coisa no mundo que possa influenciar. Músicas "pop" me atormentam dia e noite, e no lugar delas deveriam ter música com tom dançante e contagiante, com crianças brincando nas ruas que ainda fazem sol até as 21 PM. 




Eu danço desde pequena, fui criada dentro da colônia grega, nunca fui muito popular por lá, não faço parte dos gregos ricos e muito menos dos gregos que fazem sala com outros gregos em suas casas.
A família da minha mãe não é muito unida, por alguns motivos bem típicos gregos. Por parte do meu pai só tenho minha avó que mora em Atenas.
Nunca fomos uma família muito normal, e até hoje não mudamos muita coisa. 


A dança sempre foi meu elo mais forte com a cultura grega. Todos recebemos elogios, mas pra mim, os elogios vindos de gregos e sobre a dança me fazem um bem indescritível. Sou emocional, física e espiritualmente ligada nela e ela ligada em mim.




Dancei anos no grupo Neolea de São Paulo, e sai de lá à quase um ano. Sou muito justa, e pra mim dança depende de todos e não só de alguns, não aceito um ser melhor que o outro e muito menos diferenciar as pessoas porque gosta mais de uns e menos de outros. Isso na verdade não vem ao caso agora, o caso é que a minha paixão pela dança grega é surreal, e vou tentar descrever ao máximo como me sinto.

Quando danço, não danço porque alguém importante está vendo, não danço para mostrar que sei, danço porque a sinto nos meus ossos e em todos os centímetros da minha alma, danço com a cabeça, pés, mãos, olhos e sentidos, danço com a alma e às vezes até consigo me ver fora do corpo físico. Sinto-me livre e eterna, minha boca fica seca e na minha barriga tudo formiga, cada lembrança de tardes passadas lá voltam e cada puxada de braços lembro do vento que batia no meu rosto quando passava horas nas varandas, maravilhosas varandas, vistas e mares, lagos e, até mesmo, poças transparentes.

Parece que cada pessoa que eu ensino uma dança, simples que seja, recebo 100 anos de vida, me sinto fazendo uma coisa boa e que vai trazer felicidade.
Quando as pessoas dançam, não importa qual tipo de dança, a felicidade vem. Quando danço, bebo, quebro pratos e dou risadas, quando danço simplesmente, me sinto completa e feliz, meu coração bate tão forte que parece que vai sair do peito.




Tenho medo de morrer e não chegar a conhecer essa cultura maravilhosa que é a grega em outra vida, não ter a oportunidade de sentir de novo a emoção, não chorar quando ouvir uma música com o som do vento, o cheio de anis e letras que inspiram a alma. Tenho medo de um dia não pode mais me movimentar no ritmo que minhas sensações captam a música, medo de não conseguir acompanhar minha vontade de voar, digo com o corpo físico.

Dizem que o medo te impede de fazer as coisas, eu acho que é mentira, esse medo me assusta tanto que me incentiva a dançar o mais rápido e o máximo que posso, não perco um segundo da música, não desperdiço nenhuma batida porque errei o pé que iria para frente. Esse medo me ajuda a sugar tudo o que posso da cultura, dança e música grega.
Pode até parecer ridículo, e não estou pedindo que ninguém acredite ou se emocione com tudo isso, mas eu choro com as letras das músicas e o som das pessoas dançando felizes, nem que estejam bêbadas, não importa, pra mim é a melhor imagem, som e cheiros que existem no universo! 



Acho que é muito mais do que achei que conseguiria explicar, mas tá ai uma das 7342653498234 maneiras diferentes de me expressar. 





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