23/03/2012

Educação, lindas palavras e sociedade - Música, poemas e poesias

Olá,

Hoje resolvi escrever sobre emoções, sentimentos e esperanças.
Tive aula de Língua Portuguesa II, com o professor ELEOMAR ROSETTI RICINO(que foi a melhor aula que já tive na vida e me esclareceu muitas dúvidas que sempre tive), e sabe o que descobri?

O ensino no Brasil é porco, porco, porco, e imundo de tão porco e mal feito.
Poucos professores tem didática, metodologia e conhecimento real da língua, poucos se importam com o ensino, no mínimo, decente.
Professores formando futuros professores, os mesmos professores que a anos não se importam e passam essa base para outros que vão se importar menos ainda. Professores que negam o ensino para fazer greve. Greve essa que vai aumentar 10% de um salário que já não existe, greve essa que não vai nem balançar a grama do senado. Greve essa, que vai atrasar alunos atrasados, que vai afundar mais um país afundado, que vai continuar a derrubar pessoas que nem se levantaram.
O ensino no Brasil é assunto para matar.
Matar do coração pais que levam seus filhos para o colégio e veem se tornarem drogados, veem voltando para casa sem aula, veem brigando, batendo, apanhando, estuprando e matando no fim;
Matar pessoas que estão no poder e poderiam, a se poderiam, mudar a situação, mas mesmo aqueles que fizeram diferença, como o SESI, só ajudam a fode mais o país. Transformam ensinos técnicos gratuitos, que deveria ser para filhos de trabalhadores se tornarem trabalhadores para mais conhecimento e mão de obra e evolução brasileira tendo em vista que o ensino técnico publico ainda não era forte, em pagos, e muito bem pagos;
Se matar. Morrer por ter que ouvir um: "mim não conjuga verbo". Coisa de gente burra e preguiçosa que não sabe explicar oração, verbo e predicados.

Fazendo moderação de algumas avaliações do Apontador(busca local), me de parei com a seguinte frase:
"Non estude nesa escola, ela é uma porqua ria. pedro 7 ano"Na seguinte peguei essa:
"Nao estude la, a professora coloca musica e fica dormindo na sala e deicha um aluno na porta pra vigiar se vem algum professor de otra sala ou a diretora."
É triste ver que todos veem os mesmos erros da sociedade e o governo nem liga, ou finge que faz algo para "acalmar" a revolta.

Existem alguns rappers que saíram das mais diferentes partes de São Paulo, o mais novo conhecido é o Emicida, em algumas das músicas é possível ver que o sentimento que cresce dentro das pessoas que veem esse tipo de situação e não tem pra onde correr. Cada vez mais, os heróis tem que mudar e ensinar às crianças como agir, os heróis próximos, pais, escola, vizinhos, amigos e conhecidos, pessoas famosas e queridas da TV brasileira(Ivete, você está excluída, propaganda de cerveja não é legal, linda.).  Uma boa propaganda, viral, que lutou por uma boa causa foi a do Xingu.

Cê lá faz ideia - Emicida
"Explica pra assistente social
Que pai de gente, igual a gente, não sabe usar a mente, só o pau
Que quem educa nóiz, na escola estadual
Joga na cara toda manhã o quanto ganha mal
Que é incrível,
Quantos da gente sentam no final da sala pra ver se ficam invisível
Calcula o prejuízo
Nossas crianças sonham que quando crescer, vai ter cabelo liso
Sem debater, fato
Que a fama da minha cor fecha mais portas que zelador de orfanato"

Então toma - Emicida
"Hoje é o dia, tio, igual nunca existiu
Me levantar por todos que caiu
Dá até um arrepio, Zé Arredio
Cria de onde seu medo repousa
Desafeto de giz e lousa
Graças a tantas desgraças, eu vim
Como traças ou pragas em massa, neguim
Junto praça, carcaça de prédio no fim
Tempo passa e a caça não lembra a mim
De pé com fé, Ogum e Nossa Senhora"

Triunfo - Emicida
"Uns rimam por ter talento, eu rimo porque eu tenho uma missão
Sou porta-voz de quem nunca foi ouvido
Os esquecidos lembram de mim porque eu lembro dos esquecidos
Tipo embaixador da rua
Só de ver o brilho no meu olho os falso já recua"
"Milhares de olhares imploram socorro na esquina
No morro a fila anda a caminho da guilhotina
Várias queima de arquivo diária com a fome
E vão amontuando os corpo de quem não tem sobrenome
Eu vi, com os próprios olhos a sujeira do jogo
Minha conclusão é que muito buzo ainda vai pegar fogo
Aí, todo maloqueiro tem em si
Motivação pra ser Adolf Hitler ou Gandhi
E se a maioria de nóis partisse pro arrebento?
A porra do congresso tava em chama faz tempo!
Eu nasci junto a pobreza que enriquece o enredo
Eu cresci onde os muleque vira homem mais cedo
Com as mochila do aluno, presente, as tag com nome
As garrafa de vinho nas costas dos neguinho
Não vim pra trair minhas convicções, em nome das ambições
E arrebatar multidões, ao diluir meus refrões
Não! eu podia, e se eu quisesse vendia
Mas sou tudo aquilo que pensaram que ninguém seria
Se o rap se entregar favela vai ter o que?
Se o general fraquejar soldado vai ser o que?
Tem mais de mil muleque aí querendo ser eu
Imitando o que eu faço, "tio, se eu errar fudeu!"
Ser MC é conseguir ser H ponto aço
No fim das contas fazer rima é a parte mais fácil
Já escrevi rap com as ratazana passeando em volta
Tio! goteira na telha, tremendo de frio
Quantos morreu assim e no fim quem viu!?
Meu, cês ainda quer memo ser mais rua que eu!?"


Resumindo?

Não queremos revolução na industria, não queremos revolução no poder(ainda...). Queremos revolução de ensino.
Temos em nossas mãos novas possibilidades e não sabemos usa-las.
Temos crianças aprendendo a ganhar dinheiro fazendo sexo oral no intervalo ao inves de fazer artesanato.
Temos crianças que poderiam ser exemplos de alunos e no entanto, enviamos, e pagamos estada, faculdade, alimentação e tudo o que precisarem para que nossos recém formados aprendam, fora do país, e mesmo assim quando eles voltam, o governo não libera a sua pós ou especialização em menos de 1 ano.
Governo contra governo.
Na minha opinião, não temos mais ética como matéria escolar porque nenhuma pessoa seria apta a dar essa aula, seria antiético uma pessoa sem ética dar essa aula. Mundo louco não?

Monólogo, visão e arte sobre uma sociedade estranha, através dos olhos de um grande artista.
Toda e somente feita com Ms, substantivo, adjetivo e verbos. Por fim, uma música que deveria ser um hino: What a Wonderful World.
(homenagem)

"Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda."

- Chico Anysio -

Li alguns poemas e poesias lindas.
Coisas que fazem você sentir que os escritores não são seres de outro mundo e que são pessoa normais com sentimentos como os nossos, do dia a dia.

Os que mais gostei:

"A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;

e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço laço e basso;

e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;

e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que me mata...);

e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,
correndo paralelamente, como a sorte indiferente de toda gente, para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade: RUA DA FELICIDADE..."

- A rua das rimas - Guilehrme de Almeida -



"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar."

 - Guardar - António Cícero -



Obras de arte: Juarez Machado

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