10/07/2013

Encobertas descobertas

Passei muito tempo matutando uma forma, agradável, de me expressar, mas descobri o quanto queria culpar alguém por meus erros.

Quando estamos à beira de tomar uma decisão, que parece complicadíssima temos a fabulosa ideia de perguntar aos outros, o que acham ou o que fariam na nossa situação.
Essa nossa mania inconsequente de envolver outras pessoas em nossas próprias escolhas nos leva a culpar-los por erros que deveriam ser somente nossos.
Quando vamos aprender a parar de dividir a sentença dada por nossos atos?

Claro, não julgo ninguém por escolhas erradas que tiveram o resultado merecido, mas sempre temos aquela sensação de eu sabia e que nada mais pode ser feito.

Gosto de usar palavras que saem da boca de outros que, por mais que pensem como eu, não são o que realmente são. Digo isso por imaginar sempre pessoas podres e amargas que gostam de se expor e mostrar o quão corretas estão em seus erros supostamente apoiados na base de uma sociedade bizarramente composta.
Faço montagens fraseais que realmente fazem sentido em minha mente.
Falo sem pensar e depois passo o dia me desculpando com pessoas que, claramente, não se sentiram ofendidas.
Ajo como se todos me entendessem da forma natural que gostaria.

Poucos são aqueles que conseguem compreender frases soltas que solto quando estou solta demais.
Poucos são aqueles que minha alma sentirá falta quando se forem ou eu me for.

Nada é como antes.






Minha Psicóloga disse que sou inquieta e muito ansiosa.
Disse também que terei claustrofobia, taquicardia, síndrome de mãos inquietas, começarei a falar sozinha, repetir ultimas palavras ditas por mim ou por terceiros e talvez até coma as unhas.
Fiquei com medo de contar que tudo isso já acontece, e que nada disso é culpa de ninguém a minha volta.

Escolhi ser sozinha, guardar problemas, estourar quando não suporto mais guardar os problemas, ouvir sem escutar, ter pouca paciência e ser totalmente desarrumada e despenteada.

Escolhi tudo que isso que escolhi implica, e procuro sempre manter estranhos ao meu mundo, fora dele.

Muitas das vezes que tentei escrever me arrependi das palavras idiotas e sensações que causaria, antes mesmo de causar.

Descobri que tenho medo de fazer meditação, acredita?
O silêncio me enlouquece. O barulho ensurdecedor do silêncio me esfaqueia.

Alem do silêncio, outra coisa que me apodrece os órgãos são pessoas sorridentes demais.
Mesmo quando não te conhecem, sorriem como se não houvesse um amanha.
Elas olham para você com aquelas bolhas que água e cor esbugalham e sorriem como forma de agradar e merecer sua atenção especial.

Ainda bem que não tenho porte de arma.

Hoje estou me resgatando da minha própria loucura.
Estou me equilibrando em medos e conquistas e deixando tudo tranquilo e azul.

Acho que já descobri coisas demais, que deveriam estar encobertas, sobre mim.

Um comentário:

  1. Há tempos não venho aqui e encontrei uma Ale desconhecida para mim, mas se descobrindo. Fazer terapia é muito legal, às vezes pensamos que estamos num mar revolto à noite com ondas gigantescas e sozinhos. Às vezes tudo pode ser controlado! Mas o resultado de tudo isto, se bem aproveitado será um resgate da própria essência, muito legal de se viver. Quanto à meditação, informo que posso te ajudar, pois sou expert neste assunto. Abraços carinhosos.

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